Pensão alimentícia é a obrigação legal de um dos pais de sustentar os filhos menores de idade, maiores incapazes ou maiores de 18 anos que ainda estejam em formação. A pensão cobre despesas com alimentação, moradia, educação, saúde e lazer. Não é punição — é direito do filho. O valor é calculado conforme a capacidade financeira do pai ou mãe que vai pagar e as necessidades da criança.
Quem tem direito a pensão alimentícia?
Tem direito à pensão:
- Filhos menores de 18 anos — sempre (salvo em casos de filhos com capacidade de trabalho);
- Filhos maiores de 18 anos — se estiverem em formação (escola, faculdade) e sem renda suficiente;
- Filhos com deficiência ou incapazes — independentemente da idade (vitaliciamente).
Importante
A pensão é devida pelo pai E pela mãe, na proporção dos seus rendimentos. A maioria das mães solo procura cobrar do pai, mas a mãe também pode ser acionada se ganhar mais do que o pai.
Como é calculada a pensão alimentícia?
A CLT não estabelece percentual fixo. A lei deixa livre a negociação entre as partes, mas se não chegarem a acordo, a Justiça calcula considerando:
1. Capacidade do devedor (quem vai pagar)
- Renda total (salário, aluguéis, lucros, bens);
- Gastos pessoais necessários (moradia, saúde, transporte);
- Obrigações com outras pessoas (outras crianças, cônjuge).
2. Necessidades do filho
- Custos com alimentação, moradia, educação, saúde, lazer;
- Nível de vida da família antes da separação;
- Se a mãe contribui (e quanto).
Na prática, a Justiça costuma usar regras que oscilam entre:
- Mínimo: 15-20% do salário do devedor (casos de renda baixa);
- Comum: 25-30% do salário (casos típicos);
- Máximo: até 50% (quando há múltiplos filhos ou devedor de renda alta).
Exemplo real
Um pai que ganha R$ 3 mil por mês com 2 filhos pode ser condenado a pagar R$ 900 de pensão (30% do salário) — dividido entre os dois filhos = R$ 450 cada. Se tiver mais filhos legítimos (nascidos antes), a divisão muda.
Como cobrar pensão alimentícia?
Opção 1: Acordo entre os pais
O mais rápido e barato. Os pais entram em acordo (de forma amigável) sobre o valor e apresentam ao juiz para homologação. Isso é feito em audiência de homologação — geralmente sem conflito.
Opção 2: Ação judicial (se não houver acordo)
Se o pai/mãe não quer pagar ou oferece valor muito baixo, você entra com Ação de Alimentos na Justiça de Família. O processo costuma levar:
- 3-6 meses — se houver acordo durante o processo;
- 1-2 anos — se for contestado até a sentença.
Durante o processo, a Justiça pode estabelecer uma pensão provisória logo no começo, enquanto se aguarda a sentença final.
Filho sem pensão alimentícia?
Sou advogada de família em Vitória-ES e especialista em cobrar pensão. Análise gratuita e sem compromisso.
Falar agoraE se o pai/mãe não paga?
Atraso de pensão é crime (Art. 244 do Código Penal) e também gera dívida exigível. Você pode:
- Executar a pensão — bloquear contas bancárias, descontar do FGTS, penhora de bens;
- Fazer protesto — inscrever o nome do devedor em cartório como inadimplente;
- Representar criminalmente — pedindo ao Ministério Público para processar por crime de abandono;
- Cobrar multa processual** — a cada atraso, pode acumular multa de até 20% do débito.
Qual o prazo para cobrar?
O direito à pensão não prescreve enquanto o filho é menor. Após fazer 18 anos, prescreve em 3 anos. Ou seja: se seu filho faz 18 em janeiro, você tem até janeiro 2029 para cobrar as pensões atrasadas de quando ele era menor.
Posso mudar o valor da pensão depois?
Sim. A pensão pode ser aumentada ou diminuída se houver mudança significativa de circunstâncias:
- O devedor ficou desempregado (diminui);
- O devedor recebeu aumento de salário (aumenta);
- Apareceu outro filho (divide entre mais pessoas);
- O filho começou a trabalhar (diminui ou cessa).
A mudança é feita por uma nova ação — Ação de Alimentos Revisional.
Caso real do escritório
Caso prático
Uma mãe de Vitória/ES com 2 filhos cobrava pensão de R$ 300 cada (valor muito baixo). O pai alegava ganhar R$ 2.500 e dizer que não tinha dinheiro. Entramos com ação revisional, apresentamos comprovantes que ele ganhava R$ 5.500 (por recibos de trabalho PJ). A Justiça aumentou para R$ 825 cada filho — com efeitos retroativos, gerando crédito de mais de R$ 18 mil de atrasos.
Perguntas frequentes
Sou mãe que ganha bem — posso ter que pagar pensão para o pai?
Não, o pai paga pensão, não recebe. Mas se a mãe ganha MUITO mais (casos raros), a jurisprudência pode dividir proporcionalmente.
Se eu casei novamente, perde o direito do meu filho à pensão do pai biológico?
Não. A pensão é direito do filho — não muda se você casa ou tem outro relacionamento.
Meu ex-marido está desempregado, posso processar assim mesmo?
Sim. Você entra com ação e, se ele estiver realmente sem renda, o juiz fixa uma pensão mínima (pode ser cerca de 1 salário mínimo) até que ele arrume emprego.
Ele tem que comprovar a renda para a pensão ser calculada?
Idealmente sim, mas se ele se recusar, a Justiça presume a capacidade contributiva e fixa conforme a condição social dele.